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22/10/2013

Sindicato de Músicos de Sergipe é criado e já programa manifestação

 

Notícias Sergipe

Para lutar em defesa dos músicos sergipanos, na quinta-feira (17) foi criado oficialmente o Sindicato dos Músicos Profissionais de Sergipe, o SindMuse, ligado à Central Única dos Trabalhadores. A presidência está a cargo do músico Tonico Saraiva.

A eleição foi realizada em chapa única no dia 28 de maio, e teve acompanhamento do Ministério Público do Trabalho, ao qual o sindicato é agregado. “O SindMuse veio agora como uma vacina que vai aplicar e cortar esse mal, essa doença que acomete o nosso estado”, diz o presidente. Esse mal, segundo ele, se refere à desvalorização atual dos artistas sergipano, que enfrentam espaço restrito em shows.

Segundo Tonico, a realidade desses músicos hoje não é das melhores. Na posse, quinta-feira, ele denunciou que no Estado os contratos de bandas e artistas se revezam entre poucos grupos e empresas de produção artística, dependendo de suas relações políticas com os contratantes. Na ocasião, acusou também que muitas destas bandas contratadas recebem um valor muito inferior ao declarado oficialmente na Controladoria Geral da União (CGU), chegando a média de 3% do total. Ou seja, pode estar ocorrendo desvio de dinheiro.

“Tem muitos problemas sobre essa questão de cachês em nosso estado. Todos os dias um artista é chamado na CGU para saber se ele recebeu realmente aquele valor. E muitos não recebem. Estou aguardando que a Justiça investigue porque são os artistas que têm que criar coragem e ir à Justiça denunciar. Se o artista não valorizar a si mesmo, quem vai?”, ressalta. De acordo com ele, o sindicato não é o denunciante, mas está sendo chamado na Justiça para acompanhar a situação. O músico que estiver envolvido em algum episódio dessa natureza deve procurar a entidade.

Tonico Saraiva reclama também da falta de espaço dos artistas locais em shows patrocinados pelas prefeituras sergipanas. Ele afirma que há um acordo entre empresários de shows artísticos e alguns prefeitos, dando lugar apenas a artistas de outros estados que já possuem contrato, além de negociar cachês altíssimos, enquanto os de Sergipe recolhem as migalhas. Segundo Tonico, os músicos procuram as prefeituras e as empresas para trabalhar, mas sempre levam um ‘não’.

“É um acerto entre as empresas e os prefeitos. Os prefeitos têm culpa também porque eu percebo que alguns deles não têm compromisso com a cultura sergipana. Os artistas de fora são caros, de R$ 150 mil e R$ 200 mil, já os de Sergipe são baratos. No rádio passa que os músicos sergipanos estão sendo valorizados pelo nosso estado. Eu vejo isso como uma piada. Grupos de arrocha ganham 300, 500 reais. Colocam três grupinhos assim barato para fazer propaganda enganosa. É esse o valor que o artista sergipano vale?”, questiona.

E continua – “Dinheiro no Estado não é problema para fazer show. Você vê tantos shows e quase nenhum artista sergipano. Este ano mesmo, teve uma festa em Carmópolis, tinha dez cantores de fora e nenhum de Sergipe. Segundo a imprensa, foram gastos 1 milhão e 500 mil reais, com patrocínio da Petrobras”.

Bandeira de luta

Daqui para a frente o sindicato promete tentar corrigir a situação dos cachês, além de criar um piso salarial para os artistas, assim como benefícios para a saúde. Tonico afirma ainda que todos os contratos de empresários com os músicos sergipanos ou de outros estados, para festa privada ou pública em Sergipe, terão que ser feitos em cinco vias, sendo entregues no MPT, na Ordem dos Músicos, no sindicato, ao contratante e o outro a Prefeitura ou responsável pela festa privada. O sindicato é o responsável por fiscalizar se o contrato está sendo cumprido. Além disso, em cada festa também terá uma porcentagem específica de artistas sergipanos.

“Acredito que isso é um avanço. Se não lutarmos juntos não conseguiremos nada. Agradeço a toda a imprensa sergipana, e as convido a levantar a bandeira da música sergipana. Friso que não sou candidato a nada, sou candidato, sim, a fazer a música de Sergipe”.

No dia 24, às 15h, a categoria fará a primeira caminhada da cultura sergipana, com concentração na praça da Bandeira. A caminhada percorrerá as principais ruas e avenidas de Aracaju. “Terá uma mala de dossiê, tudo o que está de ruim para os músicos sergipanos vamos colocar nessa mala para entregar aos orgãos competentes”, antecipa.

Filiação

Tonico informa que já é possível se filiar ao sindicato. Um dos requisitos é apresentar a carteira da Ordem dos Músicos do Brasil – ONB. Se o músico não tiver a carteira, terá que solicitar na Ordem no Edifício Cidade Aracaju, no centro da cidade, onde fará um teste de capacidade por um maestro, para comprovar que é um músico profissional. O sindicato está localizado na sede da CUT, rua Porto da Folha, bairro Cirurgia.

Por Fernanda Araujo, do F5 News

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