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Autor dessa matéria:

Marta Angélica

Marta Angélica Lima Oliveira é médica estanciana formada pela UFS há 30 anos. Servidora pública do município e estado nas especialidades ginecologia, obstetrícia, ultrassonografia e citopatologia.

 

 

HOSPITAL (DES)AMPARADO DE ESTÂNCIA


Dia 2 de julho é Dia do Hospital no calendário  comemorativo. Aqui nada temos a comemorar, pois estamos num país que investe 6 % do orçamento em saúde (ficando atrás dos países africanos que em média investem 9,6 %) e que no relatório anual da OMS ficou em 151º entre 192 nações avaliadas.

 O Hospital Regional Amparo de Maria – Estância (HRAM) está em via de extinção e em processo de intervenção judicial desde 2004, por má gestão do dinheiro público. O HRAM é um Prestador de Serviço ao SUS para região sul do Estado, que recebe tratamento diferenciado dos outros prestadores por não precisar apresentar certidões negativas de débitos com os impostos obrigatórios junto ao município, estado e união, tudo injustamente justificado. A não apresentação de certidões negativas data de muito tempo o que possibilitou o não recolhimento correto e completo das obrigações sociais para com os funcionários, antes e durante a intervenção.

O HRAM está sob gestão estadual. Por TAC – Termo de Ajustamento de Conduta junto ao Ministério Publico Estadual o financiamento do HRAM ficou á cargo do Município de Estância, que repassa o correspondente a média da produção, no valor de 375 000 reais, contemplando a média complexidade da região sul. E também a cargo do Estado completaria 750 000 reais cheio, mensalmente, totalizando mais de 1.000.000 de reais por mês, pagamento total  correspondente a três vezes a produção, até que o outro novo hospital estadual inicie suas atividades com serviços iguais ou melhores. 

Um parto normal custa ao SUS 291 reais para o médico e hospital e se o HRAM recebe três vezes a tabela do SUS pelo que produz, um parto normal estaria custando 873 reais, ou seja, o médico recebe uma vez o parto e o HRAM recebe mais duas vezes o valor do parto. Pelos planos de saúde, para hospital e médico, o custo médio é 750 reais para o mesmo parto normal em apartamento e em melhores condições de conforto e com acompanhante.  As mulheres que estão parindo pelo SUS, naquelas desconfortáveis enfermarias do preparto e do puerpério do HRAM, “pagam” mais que pelos plano de saúde. Quanto ao péssimo estado de conservação do prédio, elevador quebrado, mobiliário enferrujado em nada lembra uma casa que recebe mais de um milhão por mês.

Quanto aos funcionários é emocionante o clamor ouvido “diuturnamente e até noturnamente” por melhores salários e ambiente saudável. Os técnicos e auxiliares de enfermagem tem uma coordenação, a qual para manter a autoridade  espalha demissões por (in)justa causa, mas emprega apadrinhados.  

Já são quase 4 000 médicos em Sergipe e não se consegue fechar a escala com clinico geral, cirurgião, ortopedista e pediatra. Qual será o motivo? Quando o gestor prioriza  competentemente um setor, este funciona como ocorre com as cirurgias eletivas (podem ser realizadas hoje ou no próximo ano). Esta setor esta funcionando tão bem que atende até usuários de Paripiranga-Ba, Lagarto e Aracaju.

O usuário que paga “caríssimo” para ter atendimento pelo SUS tem que ser transferido para outro município por um simples braço luxado. Por mais de um milhão mensalmente é este retorno que a população recebe por seus impostos e fica por isso mesmo; ou termino acreditando que “fazer saúde é caro mesmo”.   A sociedade precisa se organizar e saber cobrar o serviço que paga e não recebe e fazer muito mais do que gritar com  os funcionários da porta de entrada do hospital como se eles fosse os culpados pela falta do médico.     

Este Hospital existe desde 1867, é um patrimônio do povo de Estância. Construído com dinheiro público, depois de usado para eleger vários políticos, está completamente falido e abandonado por todos e tem seus dias contados. Após vários governos estaduais usarem a abusarem do “Amparo de Maria”, o governo atual resolveu construir um novo hospital que pretende prestar os mesmos serviços que o HRAM presta hoje, o que inviabilizará a manutenção de suas portas abertas. Pelo jeito fecharemos antes que o novo hospital seja inaugurado. No meu último plantão uma gestante em trabalho de parto foi transferida para Aracaju por falta de ocitocina, na ambulância do HRAM que quebrou três vezes no trajeto. Quem se imaginaria por um minuto no lugar desta gestante?

“Resumi minimamente” a trajetória de um HOSPITAL que só está amparado no seu próprio nome.

Marta Angélica Lima Oliveira – mart-angelica@hotmail.com



[ Comentários ]


jocineide assis - jassis.assis69@gmail.com
O melhor mesmo é gastar o dinheiro publico com outro hospital do que reciclar o que esta se deteriorando pra o proximo ser sugado e depois subistitudo por outro é assim mesmo é so colocando outro no lugar não sei do bolço de quem determina na cidade nova tinha uma maternidade muito boa quantos partos teve la varios e bem sucedidos mais foi ficando esquecido até que o predio virou escola e assim é tudo Os funcionarios são trocado se a qualidade melhorasse era bom viramos cobaias é o mau atendimento vem da recepição até o internamento quem ja chega sofrendo sai pior devido piadas,falta de jeito acho que tudo nessa vida até pra ser garí que é um trabalho pratico e simples mais tem que ter vocação não porque é o meiu mais rapido de setrabalhar como virou a aria de saude é mais facil e rapido sim mais e a qualidade,a solidariedade, o amor ao proximo e o respeito. E complicado falar se falar resolvesse seria mais tudo não passa de um desabafo.agente chega lá

clodoaldo cadete - cadete@sonnar.com.br
Dra Marta. Muito preciso sua abordagem. Sabemos que nao é somente em Sergipe que acontece isso. Isto é uma cópia de muitos , inumeros hospitais de todo o Brasil. Torco que, com este "puxao de orelha" que voce esta dando, as coisas possam melhorar .

CARLOS BARBOSA - CARLOS@hotmail.com
DR.MARTA,corajosa e determinada mas a onde estao,os politicos desta região?que nao se manifestao,sera que estao,comprometido com a comunidade ,ou com o poder? Que é mais viavel , pois lhes rendem frutos financeiros. Enquanto isso a populaçao de toda uma região sofrem. Fica aqui o meu agradecimento a senhora e a esperança de que as suas denuncias sejam investigadas pelas pessoas competentes e tomadas atitudes em beneficio desta região pois este hospital ja se tornou uma referencia para esta poplação da região centro sul do estado.Parabenspor se tornar tudo isto publico e não se cale.

Adriana Rocha - adrianarochafontes@bol.com.br
Querida Dra. Marta, Parabéns pelo artigo, pela coragem e determinação. Muitos devem seguir esse exemplo e não se acomodar e aceitar imposições de alguns politicos despreocupados com o povo. Se interesse houvesse o Hospital Amparo de Maria continuaria, como em outros tempos, sendo um valioso hospital, com grande resolução no estado de Sergipe. Estrutura fisica para isso tem, claro que manutenções devem ser feitas, pois estão deixando o centenário hospital "morrer". Percebe-se que recursos financeiros tem, só não se tem compromisso e interesse em resolver o problema. Será que o Hospital será usado novamente como estratégia politica, e aparecer um "salvador da pátria" em época de campanha? Nos indigna o descaso com a saúde do povo, onde enquanto "leigos" observamos ter solução. Adriana Rocha.

Salete - msgsalete@ig.com.br
Bom dia Dr. Marta está de parabéns por ser uma pessoa simples e atenciosa com todos que tem o previlégio de conhecer de perto, como profissional só tenho a dizer(nota 10)Lembro que já passei momentos difíceis c/ pessoa de minha família e mim deu muita atenção então Deus sempre vai está Iluminando o sei caminho como filha abençõada não tenha dúvida disso que bom que profissional da sua qualidade que a coragem de falar a verdade que se preocupa c/ população da sua cidade e de modo geral um abraço sucesso na vida pessoal e profissional

Luiz Carlos -
lembro-me de ter ouvido falar no rádio local que Ivan Leite, prefeito, lutou para q o Hram fosse encampado pelo Governo Federal, por conta das dívidas de INSS, e fosse tranformado em Hospotal Universitário, parece que a sugestão morreu em nada, onde está os políticos da cidade para somar forças?

Jussara Assunção (jornalista) - jussara_assuncao2009@hotmail.co
Dra. Marta gostaria de parabenizâ-la pela brilhante e ao mesmo tempo triste matéria - brilhante pela tua coragem e conhecimento de causa e triste por tornar esta realidade mais nua e crua - mas a sua coragem e determinação em esclarecer os fatos e cobrar uma posição do governo e da população, já nos deixa bastante otimistas.Pois sabemos que ainda existe pessoas de caráter e coragem no mundo, capazes de quebrar o silêncio e lutar por uma causa nobre.Quero dizer também que acho um absurdo o investimento desse novo hospital, sendo que, já possuimos um enorme espaço, bem localizado, centralizado e que poderia ser reaproveitado. E q nos sentimos mais indignados ainda, pelo fato de não terem sido punidos os culpados desta verdadeira catástrofe. Parabéns!!!

Titó da Estância - cristovaosousajr33@hotmail.com
Dra. Marta, é lamentável à situação que passa o nosso hospital, como também à Estância em geral. Falta comprometimento: Político e do Povo em Geral, que infelizmente, ainda não sabe escolher bem os seus Representantes, porque hoje em dia, o nome não é mais Eleição e Sim Leilão... Se não houver uma conscientização e ação de toda à População... À NOSSA QUERIDA ESTÂNCIA, TORNARASIÁ, À CIDADE DO RETROCESSO... DO ATRASO... APESAR DOS PESARES, VAMOS ACREDITAR E LUTARMOS POR DIAS MELHORES... Cristóvão Sousa Júnior. "Titó".

Andrea Amaral - andreaamaral67@yahoo.co.uk
Cara Marta, Obrigada por dividir esta informação tão triste, entretanto necessária de torna-la pública e explícita. Quando alguem com amplo conhecimento e experiencia na Saúde o faz, mostra que ainda temos esperança que um grito de socorro seja ouvido, realmente um absurdo o que está acontecendo no Hospital Amparo de Maria. O descaso com o dinheiro público não pode ser encoberto, temos que salvar este hospital e reivindicar por melhores gestores e melhores condições de tratamento para nossa população. Parabens pela matéria - Andrea Amaral - Paris, 07 Julho de 2011.


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